A
missionariedade é própria da Igreja; ela é peregrina e, em sua militância
terrestre a espera da vida definitiva na “cidade de Deus”, a Igreja anuncia
Jesus Cristo Salvador e Redentor da humanidade. Evangelizar, portanto, está no
âmago da existência da Igreja, sacramento de Cristo. Todo batizado é
missionário por ser filho de Deus e membro da Igreja. Há duas formas do cristão
realizar a missão da Igreja:
Uma delas é a
missão “ad gentes”, ou seja, para as terras distantes, povos e nações que
necessitam do anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo ou que, embora conhecendo
Cristo, ainda não caminham sozinhos, porque carecem de missionários e
lideranças próprias, surgidas no seio da Igreja local. Essa forma de missão
ocupou, e ainda ocupa, as maiores energias e melhores motivações da Igreja e
dos fiéis para a missão nas terras distantes, como a Oceania, Ásia, África e
Amazônia.
Outra é a
missão “ad intra”, isto é, para dentro da própria Igreja local. O Documento de
Aparecida, fruto de uma conferência do episcopado latino-americano e caribenho
ocorrida no Brasil, em 2007, insiste no aspecto missionário do cristão dentro
da própria comunidade. Nestes dias, torna-se difícil ir à terras distantes para
evangelizar, pois que há muitas renúncias e precisa-se de disponibilidade em
tempo integral. Todavia, pode-se fazer boas obras de missão na comunidade onde
se está, ainda tão necessitada de serviços básicos dos sacramentos; da
catequese; da animação litúrgica; de estudo bíblico; de ministérios leigos; da acolhida
e atendimento aos enfermos e idosos, às famílias, aos jovens, adolescentes e
crianças; da fraternidade e solidariedade com os marginalizados, enfim, a
missão é grande e são poucos os operários para realizá-la (Lc 10,2).
Ser missionário
está na essência da fé de todo cristão. Se não é possível ir à terras
longínquas evangelizar, é possível evangelizar onde se está, com viva
participação e engajamento na comunidade local.
Lidio José Stachelski
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